Joanesburgo – Africa do Sul
(Johannesburg – South Africa)

Parti de Victoria Falls no Zimbabwe para Joanesburgo com a companhia Fastjet.
Procurei algumas informações sobre a companhia aérea, já que voar pela Africa preocupa um pouco. Mas tirando alguns casos de voos cancelados, parecia ser boa e foi até além do esperado.
Parti 12:40 e já as 14:15 era em Joanesburgo. O voo foi bem rápido e tranquilo.
Imigraçao rápida com passaporte italiano, Peguei um taxi e parti direto pro hotel. Me hospedei no Protea hotel by Marriott. Hotel bom, com uma piscina no topo com vista para toda cidade, bem seguro e o quarto muito bom.

Os avisos na recepção e da parte da segurança de não sair com a câmera fotográfica, de não sair depois das 7, de não receber ninguém foi constante que me precavi mais que o normal, mesmo não parecendo ser diferente do Brasil.
A solução que encontrei foi fazer um tour pela cidade e ir ao Soweto era com os ônibus citytour City Sightseeing bus, coisa inédita pra mim, já que além de gostar de andar, dou valor a liberdade de parar e fotografar onde quero, e não estar limitado.
O Hotel fica pertíssimo na parada inicial e principal do citytour bus. Comprei o bilhete completo: bus + Van para o Soweto.
Lanchei antes e parti para explorar a cidade.
O centro não tem tanta coisa para ver, me prendi mais aos belos grafites e o cotidiano das pessoas que vivem ou trabalham naquela grande cidade africana, que é uma das coisas que mais gosto de fazer quando estou conhecendo uma nova cultura.

Artes pelas ruas de Joanesburgo – Africa do Sul

Arte de rua – os grafites embelezam o cinza da cidade de Joanesburgo

Chegamos ao Museu do Apartheid
O Museu do Apartheid é um dos destinos imperdíveis que não devem ficar de fora de nenhum roteiro de quem vai a Joanesburgo. Poder conhecer um pouco do que foi (porque nunca sentiremos e compreenderemos o horror que esta gente passou com esta divisão racial) e ver relatos, fotos, videos e todo material disponibilizado no museu é a nossa participação para que aquilo nunca mais volte a repetir, porque foi ruim não só para uma nação, mas para a humanidade.
Ao comprar o ingresso você tem a decisão (coisa que não existia na época, claro) de escolher o bilhete “entrada para brancos” e “entrada para não brancos”, que definirá qual porta você entrará no museu – se seu ingresso indicar uma entrada para brancos, você deve entrar na porta para brancos; se indicar entrada para não brancos, deve-se entrar pela porta a todos não brancos (negros, pardos, orientais, e assim sentir já na pele a segregação racial da época). As duas portas distintas na entrada no museu, com uma divisão baseada apenas na cor da pele, podem chocar, e é essa a intenção: mostrar quão discriminatório foi o regime de segregação racial. É apenas uma simulação mas choca e emociona.
Quando o Partido Nacional (da minoria branca) assumiu a liderança do país em 1948, a segregação racial tomou conta de vez e a situação só piorou. Áreas urbanas foram separadas por grupos sociais, atribuiu-se a todos os cidadãos uma categoria racial distinta, toques de recolher para não brancos tornaram-se rotina, a violência cresceu absurdamente. O museu mostra isso com seu grande acervo.
Fotos, vídeos, painéis, uma grande estrutura multimídia, objetos e outros artigos contam a história de pessoas comuns e de pessoas famosas, onde o mais esperado e emocionante é o de Nelson Mandela, O mais famoso e símbolo da luta contra a divisão racial no mundo. Incansável, foi nosso herói contemporâneo.

Entrada do Museu do Apartheid em Joanesburgo

Partimos para o Gold Reef City Casino Hotel que fica ao lado do Museu e ali, alem da pausa, almoço e ate shopping, trocamos de veiculo, pegando a van que nos leva ao  Soweto.
Mas antes fizemos uma parada para admirar o FNB Stadium (o estadio da copa de 2010 – FIFA World Cup).  Mas o que todos queriam logo era chegar no Soweto.

A entrada do bairro Soweto em Joanesburgo – Africa do Sul

Soweto (de South Western Townships, ou “Bairros do Sudoeste”) é uma cidade contígua a Joanesburgo na África do Sul, que foi estabelecida em 1963, para juntar sob uma mesma administração um conjunto de bairros para negros. Soweto é o maior distrito da África do Sul, e fica a uns 17 km de Joanesburgo. Famosa por ser uma favela, na verdade essa é a área urbana mais conhecida e com a maior concentração de negros em Joanesburgo.
Soweto é muito mais que isso. Esse lugar é um dos principais símbolos da história da África do Sul e do Apartheid, o regime de segregação racial instituído na década de 20 e que se estendeu até 1994 – embora os reflexos ainda estejam presentes até hoje.
De acordo com as leis do Apartheid, os negros não podiam viver em áreas reservadas aos brancos; para além dos bairros construídos para alojar os trabalhadores negros das minas de ouro, alguns bairros de cidadãos negros da classe média foram incorporados no Soweto. Durante a década de 50, Soweto continuava a crescer, com mais negros se mudando para lá, já que não podiam mais ficar nas áreas para brancos designadas pelo governo. Como se pode imaginar, a precariedade nas condições de habitação tomava conta do local, que não cresceu de forma planejada.
Durante o Apartheid, o distrito foi o principal cenário de protestos e manifestações contra a política de discriminação racial. O episódio mais sangrento ficou conhecido como Levante de Soweto: em 16 de junho de 1976, cerca de 20 mil estudantes protestavam pelas ruas do bairro contra a inferioridade das escolas para negros, superlotadas e de péssima qualidade. Além disso, o governo proibiu o ensino na língua deles e os obrigou a estudarem africâner – a língua oficial e símbolo do Apartheid.
A manifestação seguia pacífica, até policiais entrarem em choque com os estudantes e matarem centenas deles (fala-se em 700 vítimas). Uma das vítimas foi o estudante Hector Pieterson, de 13 anos, que se tornou o símbolo desse massacre. Atualmente há no local o Memorial Hector Pieterson, um tributo ao jovem e à história do massacre.

Museu e memorial Hector Pieterson no Soweto

Em 1983, o Soweto deixou de fazer parte da municipalidade de Joanesburgo, passando a ter o estatuto de cidade e a sua própria administração.

Nossa primeira parada foi ao Memorial Hector Pieterson, um lugar triste mas símbolo de luta e resistência. Deus tempo para shopping e partimos para a casa de Nelson Mandela, mas não antes de poder admirar o bairro com suas casas simples ou mansões (existem pessoas que mesmo enriquecendo não quiseram sair do bairro de origem) poucas são as casas originais no bairro. Ainda vimos o maior hospital do paìs e as famosas torres do Soweto, Antiga usina elétrica movida a carvão, o local hoje é um centro de entretenimento para os turistas que visitam o bairro. Lá é possível saltar de bungee jump, jogar paintball, assistir a jogos e ainda apreciar a culinária da região. E enfim chegamos ao destino imperdível do Soweto: a casa de Nelson Mandela.
Você pode se separar do grupo que veio, partindo em qualquer outra Van, estando atendo apenas aos horários. Foi o que fiz para poder almoçar no restaurante Mandela’s Family.

A CASA DE NELSON MANDELA

A casa de Nelson Mandela

Nelson Mandela, o maior líder da luta contra a segregação racial, viveu muitos anos na Rua Vilakazi, em Soweto. Curiosamente, essa é a única rua do mundo onde moraram dois ganhadores do Prêmio Nobel: Nelson Mandela e o arcebispo Desmond Tutu. Sem dúvida, é um dos locais mais visitados de Soweto. A casa do Mandela é um museu e fecha para visitação na sexta-feira.

E enfim voltei para o hotel. Ainda no outro dia passei pela cidade e visitei uma mina, mas sem minha maquina fotográfica e celular, queria ficar a vontade depois de tanta recomendação.
Destinos imperdíveis na Africa, Joanesburgo e Cidade do cabo merecem sim sua visita e espero um dia poder voltar e enfim conhecer a Cidade do Cabo (Cape Town). Até lá… outros destinos imperdíveis estarão por aqui 🙂